15 de junho de 20264 min de leitura

Autoestima e Rejeição: Como Nossos Pensamentos Influenciam a Forma Como Nos Vemos

Dra. Alessandra Carraschi

Dra. Alessandra Carraschi

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Profissional Verificado

Autoestima e Rejeição: Como Nossos Pensamentos Influenciam a Forma Como Nos Vemos

Quem nunca se sentiu magoado ao ser ignorado, criticado ou deixado de lado? A rejeição faz parte da experiência humana e, em maior ou menor grau, todos nós já passamos por situações que despertaram esse sentimento.

​Mas você já percebeu que duas pessoas podem viver a mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes? Enquanto uma consegue lidar com o ocorrido e seguir em frente, outra passa dias ou até semanas sofrendo. Isso acontece porque nem sempre é o acontecimento em si que causa o sofrimento, mas a forma como interpretamos aquilo que vivemos.

​É nesse ponto que a autoestima exerce um papel fundamental.

O que é autoestima na visão da TCC?

​Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a autoestima está relacionada às crenças que desenvolvemos sobre nós mesmos ao longo da vida. Essas crenças são construídas a partir das nossas experiências, dos relacionamentos que tivemos e das mensagens que recebemos desde a infância.

​Quando essas experiências geram percepções negativas sobre quem somos, podem surgir pensamentos como:

  • ​"Não sou bom o suficiente."

  • ​"Não sou importante."

  • ​"As pessoas sempre acabam me rejeitando."

​Com o tempo, essas idéias passam a funcionar como lentes através das quais enxergamos o mundo e a nós mesmos.

Quando a rejeição vai além dos fatos

Um celular projetando uma sombra distorcida e escura em uma mesa iluminada, simbolizando as distorções cognitivas e o sentimento de rejeição por uma mensagem não respondida

​Nem todo afastamento, silêncio ou crítica significa rejeição. Porém, quando a autoestima está fragilizada, nossa mente pode interpretar situações neutras como provas de que não temos valor.

​Isso acontece com mais freqüência do que imaginamos:

  • ​Uma mensagem sem resposta vira: "Ela(e) não gosta mais de mim."

  • ​Uma observação sobre algo que fizemos torna-se: "Eu nunca faço nada certo."

  • ​O fim de um relacionamento transforma-se em: "Ninguém vai me amar de verdade."

​Nesses momentos, não estamos reagindo apenas ao que aconteceu, mas também às crenças que carregamos sobre nós mesmos.

O ciclo entre rejeição e baixa autoestima

Uma folha seca girando presa em um pequeno redemoinho de água, representando o ciclo vicioso da baixa autoestima, os pensamentos negativos e o isolamento emocional

​Na prática clínica, é comum observar um ciclo que se repete:

  • ​Ocorre uma situação frustrante ou desconfortável.

  • ​Surge o pensamento: "Isso aconteceu porque não sou bom o bastante."

  • ​Aparecem emoções como tristeza, ansiedade, vergonha ou insegurança.

  • ​A pessoa se afasta, evita situações sociais ou se fecha emocionalmente.

  • ​O isolamento reforça ainda mais a sensação de rejeição.

​Sem perceber, a pessoa passa a enxergar cada experiência como uma confirmação das crenças negativas que já possuía.

Como a TCC pode ajudar

Mãos segurando uma cerâmica restaurada com fios de ouro (técnica Kintsugi), simbolizando a reconstrução da autoestima, a autocompaixão e o resgate do valor pessoal através da terapia

​A Terapia Cognitivo-Comportamental não busca minimizar a dor da rejeição. Pelo contrário: ela ajuda a compreender essa dor e a olhar para ela de forma mais equilibrada.

​Durante o processo terapêutico, a pessoa aprende a:

  • ​Identificar pensamentos automáticos negativos;

  • ​Questionar interpretações precipitadas;

  • ​Reconhecer crenças antigas que influenciam sua visão de si mesma;

  • ​Desenvolver mais autocompaixão e acolhimento;

  • ​Diferenciar uma experiência de rejeição do seu valor pessoal.

​Aos poucos, a autoestima deixa de depender exclusivamente da aprovação dos outros e passa a ser construída a partir do autoconhecimento e do reconhecimento das próprias qualidades e limitações.

Uma reflexão importante

​Ser rejeitado em algum momento da vida não significa ser insuficiente. Significa apenas que você está vivendo algo que faz parte da condição humana.

​Quanto mais aprendemos a olhar para nós mesmos com gentileza, menos poder damos às interpretações negativas que surgem diante das dificuldades.

​Na clínica, vejo freqüentemente pessoas que passam anos acreditando que não são boas o bastante. Quando começam a questionar essas crenças e a construir uma relação mais saudável consigo mesmas, descobrem algo transformador: o próprio valor nunca esteve ausente, apenas estava escondido sob camadas de autocrítica e sofrimento.

​Cuidar da autoestima é um caminho de reconexão com quem você realmente é. E essa talvez seja uma das jornadas mais importantes da vida.

​Referências Bibliográficas

​Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. Artmed.

​Beck, A. T., Freeman, A., & Davis, D. D. (2005). Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Artmed.

​Clark, D. A., & Beck, A. T. (2012). Terapia Cognitiva para Transtornos de Ansiedade. Artmed.

​Neff, K. (2011). Self-Compassion: The Proven Power of Being Kind to Yourself. HarperCollins.

Sobre a autora

Alessandra é psicóloga desde 2004, com experiência clínica voltada ao acolhimento emocional e ao desenvolvimento humano. Possui formação em ABA, Neuropsicopedagogia e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), atuando no auxílio à compreensão de pensamentos, emoções e comportamentos. Seu trabalho busca promover autonomia emocional, qualidade de vida e equilíbrio psicológico de forma humanizada e acolhedora.

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Dra. Alessandra Carraschi

Escrito por Dra. Alessandra Carraschi

Eu Alessandra sou psicóloga e professora, formada em Psicologia, com pós-graduação em ABA e Neuropsicopedagogia. Atuo com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), oferecendo um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Auxilio meus pacientes no desenvolvimento de habilidades emocionais, manejo da ansiedade, organização do pensamento e mudança de padrões disfuncionais, promovendo mais equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.

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