Quem nunca se sentiu magoado ao ser ignorado, criticado ou deixado de lado? A rejeição faz parte da experiência humana e, em maior ou menor grau, todos nós já passamos por situações que despertaram esse sentimento.
Mas você já percebeu que duas pessoas podem viver a mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes? Enquanto uma consegue lidar com o ocorrido e seguir em frente, outra passa dias ou até semanas sofrendo. Isso acontece porque nem sempre é o acontecimento em si que causa o sofrimento, mas a forma como interpretamos aquilo que vivemos.
É nesse ponto que a autoestima exerce um papel fundamental.
O que é autoestima na visão da TCC?
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a autoestima está relacionada às crenças que desenvolvemos sobre nós mesmos ao longo da vida. Essas crenças são construídas a partir das nossas experiências, dos relacionamentos que tivemos e das mensagens que recebemos desde a infância.
Quando essas experiências geram percepções negativas sobre quem somos, podem surgir pensamentos como:
"Não sou bom o suficiente."
"Não sou importante."
"As pessoas sempre acabam me rejeitando."
Com o tempo, essas idéias passam a funcionar como lentes através das quais enxergamos o mundo e a nós mesmos.
Quando a rejeição vai além dos fatos
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Nem todo afastamento, silêncio ou crítica significa rejeição. Porém, quando a autoestima está fragilizada, nossa mente pode interpretar situações neutras como provas de que não temos valor.
Isso acontece com mais freqüência do que imaginamos:
Uma mensagem sem resposta vira: "Ela(e) não gosta mais de mim."
Uma observação sobre algo que fizemos torna-se: "Eu nunca faço nada certo."
O fim de um relacionamento transforma-se em: "Ninguém vai me amar de verdade."
Nesses momentos, não estamos reagindo apenas ao que aconteceu, mas também às crenças que carregamos sobre nós mesmos.
O ciclo entre rejeição e baixa autoestima
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Na prática clínica, é comum observar um ciclo que se repete:
Ocorre uma situação frustrante ou desconfortável.
Surge o pensamento: "Isso aconteceu porque não sou bom o bastante."
Aparecem emoções como tristeza, ansiedade, vergonha ou insegurança.
A pessoa se afasta, evita situações sociais ou se fecha emocionalmente.
O isolamento reforça ainda mais a sensação de rejeição.
Sem perceber, a pessoa passa a enxergar cada experiência como uma confirmação das crenças negativas que já possuía.
Como a TCC pode ajudar
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A Terapia Cognitivo-Comportamental não busca minimizar a dor da rejeição. Pelo contrário: ela ajuda a compreender essa dor e a olhar para ela de forma mais equilibrada.
Durante o processo terapêutico, a pessoa aprende a:
Identificar pensamentos automáticos negativos;
Questionar interpretações precipitadas;
Reconhecer crenças antigas que influenciam sua visão de si mesma;
Desenvolver mais autocompaixão e acolhimento;
Diferenciar uma experiência de rejeição do seu valor pessoal.
Aos poucos, a autoestima deixa de depender exclusivamente da aprovação dos outros e passa a ser construída a partir do autoconhecimento e do reconhecimento das próprias qualidades e limitações.
Uma reflexão importante
Ser rejeitado em algum momento da vida não significa ser insuficiente. Significa apenas que você está vivendo algo que faz parte da condição humana.
Quanto mais aprendemos a olhar para nós mesmos com gentileza, menos poder damos às interpretações negativas que surgem diante das dificuldades.
Na clínica, vejo freqüentemente pessoas que passam anos acreditando que não são boas o bastante. Quando começam a questionar essas crenças e a construir uma relação mais saudável consigo mesmas, descobrem algo transformador: o próprio valor nunca esteve ausente, apenas estava escondido sob camadas de autocrítica e sofrimento.
Cuidar da autoestima é um caminho de reconexão com quem você realmente é. E essa talvez seja uma das jornadas mais importantes da vida.
Referências Bibliográficas
Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. Artmed.
Beck, A. T., Freeman, A., & Davis, D. D. (2005). Terapia Cognitiva dos Transtornos da Personalidade. Artmed.
Clark, D. A., & Beck, A. T. (2012). Terapia Cognitiva para Transtornos de Ansiedade. Artmed.
Neff, K. (2011). Self-Compassion: The Proven Power of Being Kind to Yourself. HarperCollins.
Sobre a autora
Alessandra é psicóloga desde 2004, com experiência clínica voltada ao acolhimento emocional e ao desenvolvimento humano. Possui formação em ABA, Neuropsicopedagogia e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), atuando no auxílio à compreensão de pensamentos, emoções e comportamentos. Seu trabalho busca promover autonomia emocional, qualidade de vida e equilíbrio psicológico de forma humanizada e acolhedora.
Escrito por Dra. Alessandra Carraschi
Eu Alessandra sou psicóloga e professora, formada em Psicologia, com pós-graduação em ABA e Neuropsicopedagogia. Atuo com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), oferecendo um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Auxilio meus pacientes no desenvolvimento de habilidades emocionais, manejo da ansiedade, organização do pensamento e mudança de padrões disfuncionais, promovendo mais equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.