13 de abril de 20264 min de leitura

O relógio de dentro: O que os aniversários nos ensinam sobre perdas e recomeços

Daiane Romano Psi

Daiane Romano Psi

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Profissional Verificado

O relógio de dentro: O que os aniversários nos ensinam sobre perdas e recomeços

Fazer aniversário é, muitas vezes, vivenciar um fenômeno curioso: enquanto o mundo exterior celebra com luzes e festas, o nosso mundo interno pode mergulhar em um silêncio reflexivo. Para além do bolo e das felicitações, essa data funciona como um "marcador psíquico", um instante em que o tempo para de ser uma abstração e se torna presença palpável. É um momento de balanço em que inevitavelmente, o passado e o futuro se sentam à mesma mesa.

​"Até onde posso, vou deixando a pessoa que fui. Esqueço meus passos e acredito que no mundo não há caminhos, mas pés que caminham."

Clarice Lispector

O luto de quem fomos: A coragem de envelhecer

O medo de envelhecer, uma senhora caminhando em meio a uma floresta no inverno

Essa transição mencionada pela autora é, em essência, o que vivemos a cada ciclo que se completa, nessa travessia, a primeira reflexão necessária diz respeito ao luto. Pode parecer estranho falar em luto em um dia de celebração, mas envelhecer exige a coragem de nos despedirmos de versões anteriores de nós mesmos.

Cada ciclo que se fecha leva consigo expectativas que não se cumpriram, caminhos que não trilhamos e a imagem daquela pessoa que fomos há dez ou cinco anos. Elaborar esses lutos é fundamental, sem aceitar o que se foi não abrimos espaço para o que está por vir.

Se ficamos apegados ao que "deveríamos ter sido", o presente se torna pesado e o futuro parece apenas uma repetição de frustrações.

A angústia do tempo e o medo do envelhecimento

Uma fatia de bolo de aniversário e ao fundo um homem setando em uma cadeira, melancolia do aniversário, o medo de envelhecer

É nesse ponto que a angústia costuma dar as caras. O passar dos anos nos confronta com a maior das nossas feridas narcísicas: a falta de controle. O medo do envelhecimento, na maioria das vezes, é o medo da imprevisibilidade e do desamparo. Sentimos que o tempo é um rio e que não temos remos suficientes para guiar o barco. Essa insegurança diante do que não podemos prever gera uma ansiedade que paralisa, fazendo com que o futuro pareça mais uma ameaça do que uma promessa.

Trocando a expectativa pelo desejo

No entanto, a saúde mental reside justamente na capacidade de transformar esse medo em respeito pelo próprio caminhar. É preciso aprender a trocar a "expectativa" que é rígida, cobra resultados e nos frustra - pelo "desejo", que é o que nos mantém vivos e em movimento. O desejo não pede garantias, ele pede paciência e dá esperança. Ter desejos futuros aos 30, 40, 60 ou 80 anos é o que garante que o tempo não seja apenas um desgaste biológico, mas um acúmulo de sentido.

A maturidade emocional não é a ausência de medo ou a sabedoria plena, mas sim a capacidade de sustentar a própria história e seu Eu com todas as suas falhas e desejos que possui. É entender que os anos que passam não estão apenas "tirando" nossa juventude, mas nos oferecendo um repertório mais rico para lidar com a vida e oportunidades de criar novas histórias. Que possamos olhar para o relógio de dentro e para quem fomos com mais gentileza, aceitando o que perdemos e, principalmente, dando as boas-vindas ao inesperado que o desejo sempre insiste em trazer.

Quando o aniversário traz melancolia: A hora de buscar terapia

A melancolia do aniversário, o medo de envelhecer, procure ajuda de um profissional

Se os seus aniversários têm sido atravessados por uma melancolia persistente, ou se a pressão por atingir certos 'marcos' sociais está te fazendo se sentir sufocado, esses talvez sejam sinais de que o seu relógio interno pede escuta.

A terapia oferece o suporte necessário para que essa angústia não vire isolamento, permitindo que, no espaço seguro da análise, possamos dar nome às cobranças invisíveis e transformar a paralisia em movimento.

​Quando o passar dos anos desperta sentimentos difíceis de suportar sozinho, buscar ajuda profissional torna-se um ato fundamental de cuidado consigo. Estou à disposição para que possamos, juntos, elaborar esses atravessamentos e construir novos sentidos para o seu caminhar.

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Daiane Romano Psi

Escrito por Daiane Romano Psi

Psicanalista de adultos, adolescentes e crianças. Minha prática clínica é feita com base no tripé psicanalítico: análise pessoal, supervisão e estudos teóricos contínuos. Tenho como fundamentos, o compromisso ético e a autencidade. Sou membro da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica. Pós-graduada em Psicologia Clínica, possuo especializações em Neurociência do desenvolvimento pela PUCRS, Sociologia pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul, Psicofarmacologia. Saúde Mental e Atenção Psicossocial de Adolecentes e Jovens pela FIOCRUZ. Graduada em psicomotricidade pela UNICV.

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