23 de junho de 20263 min de leitura

Exaustão Feminina e a Armadilha da Multitarefa: Quando Dar Conta de Tudo Tem um Preço

Vanessa Rego

Vanessa Rego

AUTOR
Psicólogo(a)CRP: 05/85034
Exaustão Feminina e a Armadilha da Multitarefa: Quando Dar Conta de Tudo Tem um Preço

Você já percebeu que, muitas vezes, o cansaço que sente não desaparece nem depois de uma boa noite de sono?

​Isso acontece porque nem toda exaustão é física. Existe um tipo de desgaste que nasce do excesso de responsabilidades, da necessidade constante de estar disponível e da sensação de que tudo depende de você.

​Muitas mulheres vivem em um modo automático de multitarefa. Trabalham, cuidam da casa, dos filhos, da família, dos relacionamentos, resolvem problemas, organizam compromissos e ainda tentam encontrar tempo para si mesmas. Enquanto fazem uma coisa, já estão pensando em outras dez.

​O que costuma ser visto como uma habilidade admirável pode, na verdade, se transformar em uma fonte silenciosa de sofrimento emocional.

O peso invisível da sobrecarga

Uma agenda transbordando de anotações caóticas ao lado de um café derramado, simbolizando a sobrecarga mental, a multitarefa e a exaustão da rotina

​A multitarefa constante exige que o cérebro alterne repetidamente entre diferentes demandas. Com o tempo, isso pode gerar fadiga mental, dificuldade de concentração, irritabilidade, esquecimentos frequentes e sensação de esgotamento.

​Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo:

“Eu não paro um minuto, mas parece que nunca faço o suficiente.”

​Essa sensação não surge por falta de competência. Ela nasce da cobrança excessiva e da crença de que descansar é sinal de fraqueza ou irresponsabilidade.

Quando a produtividade vira uma medida de valor

Uma ampulheta antiga com a areia esgotada projetando uma sombra pesada, representando os limites ultrapassados, a pressão por produtividade e a falta de energia

​Vivemos em uma cultura que frequentemente associa valor pessoal à capacidade de produzir. Como consequência, muitas mulheres sentem culpa ao descansar, delegar tarefas ou simplesmente dizer “não”.

​Aos poucos, o autocuidado passa para o final da lista. E quando sobra algum tempo, o corpo já está pedindo socorro.

​Ansiedade, alterações do sono, tensão muscular, irritabilidade, desânimo e sensação constante de sobrecarga podem ser sinais de que seus limites estão sendo ultrapassados.

O que a TCC observa sobre esse processo?

​Na Terapia Cognitivo-Comportamental, observamos que pensamentos como:

  • ​“Eu preciso dar conta de tudo.”

  • ​“Se eu não fizer, ninguém fará.”

  • ​“Não posso decepcionar ninguém.”

​podem contribuir para manter ciclos de exaustão.

​Questionar essas crenças não significa abandonar responsabilidades. Significa construir uma relação mais saudável consigo mesma, reconhecendo que você também tem necessidades, limites e direito ao descanso.

Um convite à reflexão

Uma pedra pesada sendo deixada sobre um leito de musgo macio em uma floresta iluminada pelo sol, simbolizando o alívio de não carregar tudo sozinha e o direito ao descanso

​Você não precisa provar seu valor através do cansaço.

​Sua importância não está na quantidade de tarefas que consegue realizar em um dia.

​Descansar não é um prêmio que você recebe depois de terminar tudo. É uma necessidade humana.

​Talvez a pergunta não seja: “Como consigo fazer mais?”

​Talvez seja: “O que posso deixar de carregar sozinha?”

​Porque força não é suportar tudo em silêncio. Força também é reconhecer quando o peso está grande demais para ser carregado sozinho.

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Vanessa Rego

Vanessa Rego

AUTOR
Psicólogo(a)CRP: 05/85034 Rio de Janeiro - RJ

Atendo mulheres que vivem sobrecarga emocional nos relacionamentos, na família ou no trabalho e que se sentem cansadas de tentar dar conta de tudo. Trabalho com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Dialética Comportamental (DBT), oferecendo acolhimento e estratégias para lidar com ansiedade, insegurança, baixa autoestima, traumas e relações abusivas. Também realizo avaliação psicológica para rastreio de desregulação emocional, traços borderline e indicadores de bipolaridade. A psicoterapia pode ser um caminho para fortalecer-se e reconstruir sua relação consigo mesma.