25 de junho de 20263 min de leitura

FERIDAS EMOCIONAIS DA INFÂNCIA QUE APARECEM NA VIDA ADULTA

Dra. Alessandra Carraschi

Dra. Alessandra Carraschi

AUTOR
Psicólogo(a)CRP: 06/79354
FERIDAS EMOCIONAIS DA INFÂNCIA QUE APARECEM NA VIDA ADULTA

Você já sentiu que reage de forma muito intensa a certas situações, mesmo sem entender exatamente o porquê?

Já percebeu medo de abandono, dificuldade em confiar, culpa excessiva ou uma sensação constante de não ser “bom o suficiente”?

Muitas dessas dores não começam na vida adulta. Elas têm raízes na infância.

Este artigo é um convite para olhar com carinho para a própria história e entender como experiências antigas podem influenciar emoções, escolhas e relacionamentos hoje.

O que são feridas emocionais da infância?

Fotografia conceitual de uma delicada xícara de porcelana branca quebrada, com suas partes rachadas unidas de forma frágil sobre uma mesa de madeira gasta. A imagem simboliza as feridas emocionais da infância e a vulnerabilidade psicológica que carregamos

Feridas emocionais são marcas psicológicas deixadas por experiências difíceis vividas na infância.
Nem sempre envolvem grandes traumas. Às vezes, surgem de situações repetidas, silenciosas e invisíveis aos olhos de quem está de fora.

Alguns exemplos: Falta de afeto ou atenção emocional, Críticas constantes, Rejeição, abandono ou negligência, Violência física, emocional ou psicológica, Crescer em um ambiente com medo, gritos ou instabilidade

A criança não tem recursos emocionais para entender o que está acontecendo. Então, ela se adapta para sobreviver. O problema é que essas adaptações costumam acompanhar a pessoa até a vida adulta.

Como essas feridas aparecem na vida adulta?

As feridas emocionais não somem com o tempo. Elas costumam aparecer de outras formas:

Nos relacionamentos: 

Medo intenso de ser abandonado

Ciúme excessivo

Dificuldade em confiar

Necessidade constante de aprovação

Aceitar relações que machucam por medo de ficar só

Na relação consigo mesmo:

Baixa autoestima

Autocrítica exagerada

Sentimento de inadequação

Culpa constante

Sensação de vazio emocional


Na saúde emocional: 

Ansiedade frequente

Tristeza persistente

Dificuldade de lidar com frustrações

Explosões emocionais ou bloqueio de sentimentos

Muitas pessoas acham que “o problema é o presente”, mas na verdade o presente apenas ativa dores antigas que nunca foram cuidadas.

A criança ferida que ainda vive dentro do adulto

Composição visual mostrando um emaranhado denso e pesado de cordas e correntes enferrujadas que ocultam pequenos brinquedos infantis desgastados. A imagem representa a sobrecarga emocional, os padrões de comportamento repetitivos e os traumas de infância escondidos na vida adulta.

Dentro de cada adulto existe uma criança que aprendeu, cedo demais, a:

Ficar em silêncio para não causar problemas

Ser forte o tempo todo

Agradar para ser aceito

Não demonstrar sentimentos

Essas estratégias ajudaram na infância, mas podem machucar na vida adulta.

Curar não significa culpar os pais ou o passado, mas compreender a própria história com mais consciência e compaixão.

É possível curar feridas emocionais da infância?

Sim. Cura não é apagar o passado, mas ressignificá-lo.

Alguns passos importantes:

Reconhecer que a dor existe

Validar o que foi vivido

Entender padrões emocionais repetidos

Desenvolver novas formas de lidar com sentimentos

Buscar apoio psicológico quando possível

Vaso de cerâmica restaurado com a técnica Kintsugi, exibindo cicatrizes preenchidas com ouro brilhante sob a luz suave da manhã. A imagem simboliza a resiliência, o processo de cura emocional na psicoterapia e a beleza na ressignificação das dores do passado

A psicoterapia, especialmente abordagens baseadas em evidências, ajuda a identificar essas feridas e construir caminhos mais saudáveis para o presente.

Uma mensagem final

Você não reage “demais”.
Você reage a partir do que aprendeu para sobreviver.

Olhar para as feridas da infância é um ato de coragem.
Cuidar delas é um ato de amor-próprio.

Curar-se é possível — e você não precisa fazer isso sozinho.

Referências e leituras confiáveis

Organização Mundial da Saúde (OMS) – Saúde Mental

American Psychological Association – Trauma and Stress

Ministério da Saúde – Saúde Mental

Bowlby, J. (1988). Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.

Van der Kolk, B. (2014). O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Sextante.


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Dra. Alessandra Carraschi

Dra. Alessandra Carraschi

AUTOR
Psicólogo(a)CRP: 06/79354 Ribeirão Preto - SP

Eu Alessandra sou psicóloga e professora, formada em Psicologia, com pós-graduação em ABA e Neuropsicopedagogia. Atuo com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), oferecendo um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Auxilio meus pacientes no desenvolvimento de habilidades emocionais, manejo da ansiedade, organização do pensamento e mudança de padrões disfuncionais, promovendo mais equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.