Você já sentiu que reage de forma muito intensa a certas situações, mesmo sem entender exatamente o porquê?
Já percebeu medo de abandono, dificuldade em confiar, culpa excessiva ou uma sensação constante de não ser “bom o suficiente”?
Muitas dessas dores não começam na vida adulta. Elas têm raízes na infância.
Este artigo é um convite para olhar com carinho para a própria história e entender como experiências antigas podem influenciar emoções, escolhas e relacionamentos hoje.
O que são feridas emocionais da infância?
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Feridas emocionais são marcas psicológicas deixadas por experiências difíceis vividas na infância.
Nem sempre envolvem grandes traumas. Às vezes, surgem de situações repetidas, silenciosas e invisíveis aos olhos de quem está de fora.
Alguns exemplos: Falta de afeto ou atenção emocional, Críticas constantes, Rejeição, abandono ou negligência, Violência física, emocional ou psicológica, Crescer em um ambiente com medo, gritos ou instabilidade
A criança não tem recursos emocionais para entender o que está acontecendo. Então, ela se adapta para sobreviver. O problema é que essas adaptações costumam acompanhar a pessoa até a vida adulta.
Como essas feridas aparecem na vida adulta?
As feridas emocionais não somem com o tempo. Elas costumam aparecer de outras formas:
Nos relacionamentos:
Medo intenso de ser abandonado
Ciúme excessivo
Dificuldade em confiar
Necessidade constante de aprovação
Aceitar relações que machucam por medo de ficar só
Na relação consigo mesmo:
Baixa autoestima
Autocrítica exagerada
Sentimento de inadequação
Culpa constante
Sensação de vazio emocional
Na saúde emocional:
Ansiedade frequente
Tristeza persistente
Dificuldade de lidar com frustrações
Explosões emocionais ou bloqueio de sentimentos
Muitas pessoas acham que “o problema é o presente”, mas na verdade o presente apenas ativa dores antigas que nunca foram cuidadas.
A criança ferida que ainda vive dentro do adulto
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Dentro de cada adulto existe uma criança que aprendeu, cedo demais, a:
Ficar em silêncio para não causar problemas
Ser forte o tempo todo
Agradar para ser aceito
Não demonstrar sentimentos
Essas estratégias ajudaram na infância, mas podem machucar na vida adulta.
Curar não significa culpar os pais ou o passado, mas compreender a própria história com mais consciência e compaixão.
É possível curar feridas emocionais da infância?
Sim. Cura não é apagar o passado, mas ressignificá-lo.
Alguns passos importantes:
Reconhecer que a dor existe
Validar o que foi vivido
Entender padrões emocionais repetidos
Desenvolver novas formas de lidar com sentimentos
Buscar apoio psicológico quando possível
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A psicoterapia, especialmente abordagens baseadas em evidências, ajuda a identificar essas feridas e construir caminhos mais saudáveis para o presente.
Uma mensagem final
Você não reage “demais”.
Você reage a partir do que aprendeu para sobreviver.
Olhar para as feridas da infância é um ato de coragem.
Cuidar delas é um ato de amor-próprio.
Curar-se é possível — e você não precisa fazer isso sozinho.
Referências e leituras confiáveis
Organização Mundial da Saúde (OMS) – Saúde Mental
American Psychological Association – Trauma and Stress
Ministério da Saúde – Saúde Mental
Bowlby, J. (1988). Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.
Van der Kolk, B. (2014). O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Sextante.
Dra. Alessandra Carraschi
Eu Alessandra sou psicóloga e professora, formada em Psicologia, com pós-graduação em ABA e Neuropsicopedagogia. Atuo com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), oferecendo um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Auxilio meus pacientes no desenvolvimento de habilidades emocionais, manejo da ansiedade, organização do pensamento e mudança de padrões disfuncionais, promovendo mais equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.