9 de junho de 20266 min de leitura

Mitos e Verdades Sobre a Psicanálise: O Que Esperar da Análise Pessoal

Lucelia Perez

Lucelia Perez

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Profissional Verificado

Mitos e Verdades Sobre a Psicanálise: O Que Esperar da Análise Pessoal

Muito já se sabe que quando se fala em Psicanálise nos vem à mente muitos pensamentos que acabam se transformando em verdadeiros mitos na sociedade, será que é isso ou aquilo, ou, será que a psicanálise é para pessoas loucas? Ou na pior das hipóteses é que ela não traz resultados, enfim, venho aqui dizer a vocês que antes de consultarem um psicanalista pela primeira vez, saibam que o ambiente terapêutico poderá lhe surpreender.

​Antes de falarmos sobre esses mitos da psicanálise, quero que saibam que o termo loucura deixa de ser visto como desrazão (“ausência ou falta de razão; injustiça”) e passa a ser compreendida definitivamente como doença mental. Assim, abrem-se as portas para a sua escuta, sobretudo, quando no século XIX efetivam-se os entrecruzamentos entre Psiquiatria e Psicanálise.

​Agora vamos lá falar sobre os mitos e verdades sobre a análise pessoal com um psicanalista!

A psicanálise é voltada apenas para pessoas na qual muitos denominam de “louca”?

Consultório de psicanálise acolhedor com duas poltronas frente a frente, iluminado por luz natural, simbolizando um ambiente seguro para o autoconhecimento e cuidado da saúde mental

​Pessoal, isso é mito, pois são muitos os motivos que levam uma pessoa a buscar a terapia com um psicanalista, há uma lista enorme de transtornos e sintomas provindos de traumas que posso citar aqui para vocês como: o estresse no trabalho, relacionamentos fracassados ou destrutivos, depressão, ansiedade, distúrbios de personalidade, problemas relacionados à autoidentidade e à sexualidade, dependência emocional, autoestima, entre muitos outros. Muitas pessoas também buscam o tratamento após passarem pela perda significativa, como o divórcio ou a morte de um ente querido, ou mesmo por causa de problemas relacionados a um evento traumático, como um abuso na infância ou na adolescência.

​A psicanálise é, acima de tudo, uma ferramenta de autoconhecimento, que promove entendimento, autoconfiança, capacidade analítica, superação e cura através da palavra. É indicada a pessoas de todas as idades que tenham questões a serem trabalhadas em si mesmo, questões que a levam a duvidar sobre sua vida e tudo que está a sua volta, e a quem possui sintomas de estresse, depressão, ansiedade, síndrome do pânico, fobias, compulsões, transtornos afetivos e/ou alimentares, dificuldades de comunicação e/ou de relacionamento, entre outros.

O processo terapêutico psicanalítico pode demorar para acabar?

Uma ampulheta antiga de latão sobre um livro aberto com areia caindo lentamente, simbolizando o tempo necessário, a paciência e a reflexão no processo terapêutico psicanalítico

​Neste caso é verdade, pois, cada pessoa tem um propósito e um problema em questão o que pode demandar meses ou até mesmo anos, mas não vou mentir, pois, o tratamento pode ser longo, e algumas pessoas seguem em análise por toda a sua vida. Não existe fórmula mágica na psicanálise e na verdade também não é como tomar uma pílula da felicidade, mas também digo que os antidepressivos também não são! Após a era digital onde tudo parece ser fácil, onde pessoas ou os famosos “gurus” prometem soluções mágicas para problemas sérios, as pessoas buscam soluções instantâneas para suas questões internas, e digo que foi a partir deste contexto que o negócio de medicamentos psiquiátricos saltou de 82 bilhões por ano em 2022 para 113 bilhões por ano em 2023, um aumento de 36% segundo o conselho federal de farmácia.

​“Sem dúvida, a pandemia resultou em impactos que levaram a um aumento significativo de problemas de saúde mental em todo o mundo, inclusive no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que, no primeiro ano da circulação do novo coronavírus, houve um incremento de 25% na prevalência dos casos de depressão e ansiedade na população mundial.

​O maior problema encontrado com essas drogas é que elas somente atuam nos sintomas, e não na causa do sofrimento, que automaticamente após um curto período ressurge depois que o efeito da medicação passa. Segundo Peter Gay – psicanalista, historiador, professor emérito da Universidade de Yale e autor da biografia de Freud “Uma Vida para o Nosso Tempo”:

​“Ninguém tem dúvidas de que muitas das novas drogas podem aliviar os sintomas de diversas doenças da mente. Mas elas não podem curar ninguém. A técnica do tratamento pela fala, criação de Freud, é e permanecerá essencial”.

​Não quero dizer que a análise pessoal é melhor do que a medicação, mas quero mostrar que ambas precisam e devem trabalhar em conjunto para que cada uma exerça sua função e amparando uma à outra no processo de busca por uma melhora significativa do paciente, neste processo o paciente que precisa fazer uso de drogas como os antidepressivos podem obter melhores resultados e criam melhores condições no processo de análise, fazendo que a escuta analítica seja mais clara e objetiva.

A psicanálise funciona de verdade ou não?

​Todo processo de análise pessoal é voltado totalmente no indivíduo, e cada indivíduo tem sua singularidade, ou seja, ele é único, por essas particularidades existe uma certa dificuldade em mensurar seus resultados – o que não deve ser confundido com a falta de efetividade.  Porém, um estudo realizado pelos pesquisadores Leichsering e Rabung, e publicado no Journal of American Medicine em 2008, demonstrou que a psicanálise não apenas funciona, como também apresenta resultados superiores a outras terapias para a maioria dos diagnósticos, inclusive para autismo, psicoses e depressão.

O impacto da psicoterapia no funcionamento do cérebro

​Foi realizado um outro estudo pelo brasileiro Júlio Peres e publicado no Journal of Psychological Medicine, onde demonstra que a conversa modifica o funcionamento do cérebro. No estudo, 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial passaram por 8 sessões de psicoterapia. Ao final do tratamento, foram realizados exames de tomografia, que mostraram que esses pacientes apresentaram maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a “rotulagem da experiência”. Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa. Isso reforça a idéia de que falar sobre o problema ajuda pessoas que sofreram traumas a lidar melhor com suas dores.

Os Analistas são frios e distantes?

Detalhe das mãos de duas pessoas em uma mesa, segurando uma xícara quente, representando a empatia, a confiança e a escuta ativa no encontro analítico.

​Depende de cada profissional, pois, cada um aborda o paciente de forma única e individual, dependendo de sua linha de trabalho, pois existem diversas formas de abordagem de um psicanalista, em todo caso o processo da escuta é muito importante e faz parte da análise pessoal, e isso pode acontecer dependendo da linha seguida pelo psicanalista escolhido. Por exemplo os analistas lacanianos, podem se encaixar nesse estereótipo, pois tendem a ter uma postura mais direta e impessoal, onde dentro de um setting terapêutico ele não responderá as perguntas, não emitirá opiniões, ou falarão sobre eles.  Já os profissionais que se dizem freudianos são mais sóbrios e tendem a se comportar de uma forma mais neutra, trocando pouco com o analisando. Mais por outro lado, os analistas ditos como winnicottianos demonstram uma postura mais próxima e ativa, e a troca deles com o paciente é maior.

A importância de se sentir à vontade na terapia

​No entanto, grande maioria dos analistas não trabalha com uma única corrente, mas com uma combinação única entre elas, que varia de acordo com as questões e a individualidade de cada paciente. A análise pessoal é o resultado do encontro entre o analista e o analisando e, por isso, costumo dizer que o mais importante neste processo todo é se sentir à vontade durante o tratamento e escolher um psicanalista que lhe traga confiança, segurança e a empatia que serão sentidas logo nos primeiros encontros.

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Lucelia Perez

Escrito por Lucelia Perez

Do interior de SP, atualmente resido em Manaus onde atuo em clinica presencial e também online, já se conectou com pessoas de diversos países além do Brasil. Antes de se tornar Psicanalista foi Administradora de Empresas especialista em Gestão de Negócios por 20 anos. Membro da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica ao longo dos anos tenho me especializado em diversas áreas da saúde mental como Neuropsicanálise, Psicanálise Infantil, Psicossomática, Psicopatologia, Neurociência do Desenvolvimento Infantil, Compulsões, Psicologia Clínica, além de participações em Congressos e Cursos.

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