(Um guia para perder o medo e dar o primeiro passo)
Quando o coração acelera antes mesmo de clicar em “entrar na sessão”
Você abre o computador.
Confere o horário.
Talvez ajuste a câmera, talvez nem ligue ainda.
O coração acelera.
A respiração fica mais curta.
A cabeça começa a trabalhar rápido demais.
E surgem aqueles pensamentos bem conhecidos:
“E se eu não souber o que falar?”
“E se ficar um silêncio constrangedor?”
“E se eu travar?”
Se isso já passou pela sua mente, respira comigo um instante.
Você não está exagerando. Nem está sozinho(a).
A primeira sessão de terapia costuma dar frio na barriga mesmo — especialmente quando é online. Afinal, é algo novo, íntimo, desconhecido… e o nosso cérebro tenta nos proteger antecipando riscos que, muitas vezes, nem existem.
Este guia é para você que quer cuidar da saúde mental, mas sente insegurança só de imaginar como funciona essa primeira conversa.
Sem “psicologuês”: entendendo o que acontece dentro de você
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A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) parte de uma ideia simples, prática e muito humana:
Não é exatamente o que acontece conosco que determina como nos sentimos, mas a forma como interpretamos o que acontece.
De maneira bem direta, funciona assim:
Pensamentos → Emoções → Comportamentos
Vamos trazer isso para algo real, comum na primeira sessão:
Pensamento: “Vou travar e a terapeuta vai me julgar.”
Emoção: Ansiedade, vergonha, medo.
Comportamento: Adiar, cancelar ou nem marcar a sessão.
Percebe como tudo começa lá no pensamento?
Na TCC, a primeira sessão não é um interrogatório, nem um teste para ver se você “sabe fazer terapia”.
Ela não exige que você conte tudo, nem que fale de forma organizada ou profunda logo de início.
Ela existe para:
Te conhecer no seu ritmo
Entender o que te trouxe até ali
Explicar, com clareza, como funciona o processo
Construir juntos um caminho possível
Você não precisa chegar pronto(a).
O processo é justamente sobre ir organizando as coisas aos poucos.
Afinal, o que realmente acontece na primeira sessão de TCC online?
De forma simples e honesta:
Você escolhe um lugar minimamente reservado
Conversamos sobre o que está te incomodando agora
A terapeuta faz perguntas para entender melhor sua história e seu momento
Você fala no seu tempo — não há obrigação de contar tudo
Começamos a dar nome ao que você sente e a organizar isso com mais clareza
É comum que, ao final da sessão, muitas pessoas digam:
“Achei que seria muito pior.”
“Me senti mais aliviado(a) do que esperava.”
E isso acontece porque, muitas vezes, o medo está mais na antecipação do que na experiência real.
Um pequeno passo que você pode dar agora (antes mesmo da terapia)
Se quiser, experimente este exercício simples — sem pressão, sem certo ou errado.
📝 Exercício rápido de organização mental
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Pegue um papel, bloco de notas ou o celular e responda com sinceridade:
O que mais tem me incomodado ultimamente?
Que pensamento costuma aparecer quando isso acontece?
Como meu corpo reage?
(aperto no peito, tensão, cansaço, dor de cabeça…)O que eu costumo fazer para lidar com isso?
(evitar, me distrair, segurar sozinho(a), explodir, desistir…)
Não tente resolver.
Não se julgue.
Apenas observe.
Esse é exatamente o tipo de organização que começamos a construir na TCC:
menos confusão interna, mais clareza e gentileza consigo mesmo(a).
Referências bibliográficas
Beck, J. S. (2021). Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Artmed.
Wright, J. H., Brown, G. K., Thase, M. E., & Basco, M. R. (2018). Learning Cognitive-Behavior Therapy. American Psychiatric Publishing.
Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of cognitive behavioral therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research.
Organização Mundial da Saúde (OMS). (2022). Guidelines on mental health at work.
Dra. Alessandra Carraschi
Eu Alessandra sou psicóloga e professora, formada em Psicologia, com pós-graduação em ABA e Neuropsicopedagogia. Atuo com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), oferecendo um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Auxilio meus pacientes no desenvolvimento de habilidades emocionais, manejo da ansiedade, organização do pensamento e mudança de padrões disfuncionais, promovendo mais equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.