21 de junho de 20264 min de leitura

Você Está Vivendo ou Apenas Sobrevivendo

Dra. Alessandra Carraschi

Dra. Alessandra Carraschi

AUTOR
Psicólogo(a)CRP: 06/79354
Você Está Vivendo ou Apenas Sobrevivendo

Talvez você acorde todos os dias no horário certo, cumpra suas responsabilidades, responda mensagens, trabalhe, cuide da casa, da família e faça tudo o que precisa ser feito. Por fora, parece que está tudo bem. Mas, por dentro, existe uma sensação difícil de explicar.

​Você sente que os dias estão passando rápido demais. Que as semanas se transformam em meses. Que a vida acontece enquanto você tenta apenas dar conta de tudo. E então surge uma pergunta desconfortável: Você está vivendo ou apenas sobrevivendo?

​Muitas pessoas chegam à terapia acreditando que precisam aprender a lidar com ansiedade, estresse ou cansaço. E, de fato, essas questões costumam estar presentes. Mas, freqüentemente, existe algo ainda mais profundo: a sensação de ter se perdido de si mesmo ao longo do caminho.

O ciclo da sobrevivência: quando a rotina ocupa todos os espaços

Uma mesa de trabalho à noite com café e agendas empilhadas, simbolizando o cansaço e a rotina de apenas sobreviver às tarefas

​A rotina vai ocupando todos os espaços. Você adia o descanso porque ainda há muito para fazer. Adia o lazer porque existem prioridades mais importantes. Adia o cuidado consigo porque acredita que pode esperar mais um pouco.

​Até que um dia percebe que não se lembra da última vez em que fez algo simplesmente porque gostava. Não se lembra da última vez em que descansou sem culpa. Não se lembra da última vez em que se sentiu verdadeiramente presente.

​E isso não acontece porque você é fraco, desorganizado ou incapaz. Acontece porque estamos vivendo em um mundo que nos ensina a produzir o tempo todo, mas raramente nos ensina a cuidar da nossa saúde emocional. Somos incentivados a sermos fortes, eficientes e resilientes. Porém, quase ninguém nos mostra como lidar com a sobrecarga, com as frustrações, com as perdas e com a pressão constante de precisar dar conta de tudo.

Quando a mente e o corpo cobram a conta: sinais de alerta

Uma folha seca sobre uma água escura e imóvel, simbolizando o vazio silencioso e o esgotamento emocional

​O problema é que a mente e o corpo começam a cobrar essa conta. Primeiro aparece o cansaço. Depois a irritação. A falta de paciência. A dificuldade de sentir prazer nas coisas que antes eram importantes. E, muitas vezes, uma sensação silenciosa de vazio que não desaparece nem quando tudo aparentemente está bem.

A visão da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

​A Terapia Cognitivo-Comportamental nos mostra que não são apenas as situações que geram sofrimento, mas também a forma como interpretamos essas situações. Quando carregamos pensamentos como "eu preciso ser forte o tempo todo", "não posso falhar" ou "não tenho direito de descansar", acabamos vivendo sob uma cobrança constante.

​E ninguém consegue permanecer em estado de alerta para sempre sem sofrer conseqüências emocionais.

Reconexão: a terapia como espaço para viver com presença

Uma janela aberta com a luz do sol entrando, simbolizando a reconexão consigo mesmo e a esperança trazida pelo processo terapêutico

​A terapia não serve apenas para momentos de crise. Ela também é um espaço para se reconectar consigo mesmo. Para compreender seus sentimentos. Para reconhecer seus limites. Para aprender que cuidar da própria saúde mental não é egoísmo, mas uma necessidade.

​Talvez você continue tendo responsabilidades amanhã. Talvez os desafios continuem existindo. Mas viver não significa ter uma vida perfeita. Viver é conseguir experimentar a própria vida com presença. É perceber seus sentimentos. É reservar espaço para aquilo que faz sentido para você. É entender que seu valor não está apenas no que você produz.

Um convite à reflexão

​Por isso, hoje, eu gostaria de lhe fazer um convite: pare por alguns minutos e reflita. Quando foi a última vez que você perguntou a si mesmo como realmente estava? Não como você responde para os outros. Mas como você está de verdade.

​Talvez essa resposta seja o começo de algo importante. Porque você merece mais do que simplesmente passar pelos dias. Você merece viver sua vida, e não apenas sobreviver a ela.

​Referências Bibliográficas

  • ​Beck, J. S. (2022). Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática (3ª ed.). Porto Alegre: Artmed.

  • ​Beck, A. T. (2020). Terapia Cognitiva da Depressão. Porto Alegre: Artmed.

  • ​World Health Organization (WHO). Burn-out an occupational phenomenon: International Classification of Diseases (CID-11).

  • ​Silva, A. V. et al. (2026). A Terapia Cognitivo-Comportamental no Tratamento do Burnout em Profissionais de Saúde. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro.

  • ​Carlech, A. B. et al. (2025). A Síndrome de Burnout e a Terapia Cognitivo-Comportamental. Revista Multidisciplinar Integrada.

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Dra. Alessandra Carraschi

Dra. Alessandra Carraschi

AUTOR
Psicólogo(a)CRP: 06/79354 Ribeirão Preto - SP

Eu Alessandra sou psicóloga e professora, formada em Psicologia, com pós-graduação em ABA e Neuropsicopedagogia. Atuo com foco na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), oferecendo um atendimento acolhedor e baseado em evidências. Auxilio meus pacientes no desenvolvimento de habilidades emocionais, manejo da ansiedade, organização do pensamento e mudança de padrões disfuncionais, promovendo mais equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.